Luiz Ildefonso Simões Lopes

Por que a Brookfield já investiu 60 bilhões de reais no Brasil

30 de Maio de 2017

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O mercado atribui a Simões Lopes parte significativa da responsabilidade sobre o bom momento da Brookfield no Brasil.

A relação da Brookfield com o país é mais do que centenária. Começou em 1899, quando um grupo de canadenses desembarcou por aqui para levantar sistemas de iluminação pública e de bondes movidos a energia elétrica – era a origem da Light e, de certa forma, da própria Brookfield. Por várias décadas, o grupo canadense operou com o nome de Brascan (aglutinação de Brasil mais Canadá).

Em sua longa trajetória, a Brookfield nunca deixou de investir no país – embora com menos ímpeto do que agora. Sem considerar as compras mais recentes, são R$ 40 bilhões sob gestão. A lista de empreendimentos é enorme. São 41 hidrelétricas, cinco parques eólicos e três usinas de geração de energia a partir da biomassa, além de linhas de transmissão, portos, ferrovias, milhares de hectares de terras e florestas, edifícios comerciais e residenciais e seis shopping centers – incluindo o Pátio Paulista e Higienópolis, em São Paulo. Sob concessão, em parceria com a espanhola Abertis, estão ainda nove estradas, como a Régis Bittencourt e a Fernão Dias. “Eles conhecem muito do cenário de infraestrutura no Brasil e sabem que, entre altos e baixos, o país dá resultados”, diz um executivo da companhia, que pede para não ser identificado. As rígidas regras de comunicação da companhia não incentivam declarações – o próprio Flatt gosta de pregar que a discrição é importante para os negócios. Voltando aos números: em 2015, a receita líquida do grupo todo no Brasil foi de R$ 9,7 bilhões. O saldo aqui é realmente positivo – um crescimento acumulado de 20% desde 2011, mesmo com desempenho ruim de algumas áreas. A Brookfield Incorporações, por exemplo, fechou o capital na Bovespa em 2014, depois de vários prejuízos acumulados.

Considerando os negócios nos quais a Brookfield também responde como operadora (como as concessões de rodovias), são 18 mil funcionários no Brasil. Há outros 200 profissionais responsáveis pela área mais estratégica – como a prospecção e avaliação de projetos. Metade do grupo fica no Rio de Janeiro, metade em São Paulo. É uma equipe madura. A maioria tem entre 30 e 45 anos, um perfil bem diferente do grupo que normalmente compõe os quadros dos bancos de investimentos brasileiros – formados basicamente por jovens recém-formados e loucos por bônus generosos.

“Quem entra na Brookfield está mais interessado em fazer carreira do que em ficar milionário”, diz um executivo da companhia. Boa parte do time está na empresa há mais de uma década. É o caso do próprio presidente no Brasil, Luiz Ildefonso Simões Lopes, engenheiro carioca de 67 anos, há 17 na casa. Um dos 18 executivos do primeiro time de gestores da Brookfield mundial, Simões Lopes é o responsável pela pregação da cartilha dos canadenses no país: não se pode tomar riscos exagerados e não se deve, principalmente, agir como o resto da manada. Se os investidores estão indo para um lado, é mais sensato que a Brookfield siga para o outro. Ou simplesmente fique parada, como muitas vezes ocorreu.

Tradicionalmente avessa a disputar leilões, a Brookfield costuma adotar uma postura ponderada ao entrar em grandes obras de infraestrutura em sua fase de execução. Para minimizar imprevistos nesses casos, a estratégia é começar com uma participação menor, que pode ser aumentada conforme o projeto amadurece. As compras também envolvem um batalhão de advogados de alguns dos maiores escritórios do país, como Pinheiro Neto e Machado Meyer. “Às vezes, são mais de 20 para definir cláusulas de um único contrato”, diz uma fonte da empresa. Foi o que aconteceu nas transações mais recentes da Brookfield. 
Embora os principais negócios precisem do O.K. da matriz em Toronto, o mercado atribui a Simões Lopes parte significativa da responsabilidade sobre o bom momento da Brookfield no Brasil. “No período de euforia em relação ao país, quando um monte de gente estava jogando dinheiro pela janela, colocando recursos nas empresas do Eike Batista, por exemplo, a Brookfield puxou o freio”, diz um banqueiro que já assessorou o grupo em importantes transações. “Ele soube evitar tentações para agir no momento certo.” Fonte: Época Negócios Tags relacionadas: Brookfield, Brookfield Brasil, Luiz Ildefonso Simões Lopes, Luiz Lopes, CEO, Economia, Brasil, Investimentos